Neo-paganismo designa hoje as diversas formas de religiosidade que têm basicamente em comum a busca do divino através da natureza. Com base em um princípio atribuído ao filósofo egípcio Hermes Trimegisto, segundo o qual “o que está acima é como o que está abaixo e o que está abaixo é como o que está acima”. Seus adeptos acreditam que a natureza dos criadores seja a mesma de suas criaturas. A sua filosofia esotérica é conhecida como hermetismo ou sabedoria hermética e foi difundida por todos os países do Médio e Extremo Oriente e Mediterrâneo. O hermetismo influenciou a filosofia grega, o judaísmo místico, o gnosticismo, e possivelmente o budismo e o hinduísmo. Em todo o mundo, seus ensinamentos influenciaram a literatura, as ciências ocultas e as religiões primitivas.
Atualmente há uma preocupação crescente, principalmente entre os cristãos, com o acelerado desenvolvimento de seitas neo-pagãs no hemisfério Norte, que tem se espalhado pelos Estados Unidos e Canadá, abarcando toda a Europa Ocidental e penetrando na Europa Oriental, sobretudo através da Rússia. Na América do Sul, não considerando as religiões animistas provenientes da África trazidas pelos escravos, o neo-paganismo tem se propagado entre os jovens por um aumento de interesse e até mesmo adesão a ritos de bruxaria moderna, mais conhecida como Wicca, devido principalmente ao sucesso de filmes norte-americanos como o seriado Charmed e o filme Practical Magic (Da Magia à Sedução), de 1998 e mais recentemente a série Harry Potter, de 2001, e a livros como os de Paulo Coelho, nos quais a feitiçaria e a magia são tratados com simpatia.
Pode-se identificar nas manifestações do neo-paganismo ocidental, uma forma de forte oposição ao cristianismo, como também à civilização cristã que se desenvolveu na Europa e em todo o Ocidente. O neo-pagão é tipicamente um cristão que rejeitou sua herança espiritual e busca um caminho que ele julga mais adequado, segundo seu ponto de vista, à sociedade pós-moderna. Prova disso é o fato de que em geral, as seitas neo-pagãs demonstram uma grande tolerância a qualquer outra religião, inclusive adotando práticas e costumes de religiões orientais, apesar destas pouco terem em comum com os antigos ritos pagãos ocidentais.
A filosofia do neo-paganismo é naturalista e evolucionista, o que implica na defesa moral da liberdade individual, o que a torna bastante simpática à cultura popular encontrada hoje nas sociedades pós-modernas. A filosofia neopaganista na verdade reafirma o antigo impulso espiritual anticristão de anseio pela plenipotência humana. Ela ensina que é possível ao ser humano transcender a realidade material através do conhecimento mágico; o qual pode conferir ao indivíduo comum super-poderes, de forma a torná-lo capaz não apenas de transformar o seu próprio destino; mas também a realidade à sua volta, segundo a sua vontade. Este anseio ontológico tem origem nos primórdios da criação; no ideal satânico de liberdade e poder, que levou Lúcifer a se rebelar contra Deus e a arregimentar com ele uma multidão de anjos caídos. Por meio deles a humanidade ainda é tentada, como foi a primeira mulher:
“Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.” (Gênesis 3:4-5)
Outra característica fundamental do neo-paganismo é a individualização da religião. Apesar de normalmente praticarem seus cultos em grupos, seus membros são incentivados a fazê-lo muitas vezes individualmente. Um dos grandes atrativos oferecidos por estas seitas é exatamente o de tornar acessível ao indivíduo comum rituais e processos mágicos, com o objetivo de proporcionar algum benefício individual para seus praticantes. A busca de uma eventual felicidade terrena; ou a obtenção de bens puramente materiais através de atos mágicos, de forma a individualizar a religião, supera à necessidade de normalização e de um referencial moral para o convívio social. Daí também a extrema anarquia e liberalidade comum entre os praticantes de tais cultos.
Conforme afirma A.R. Kayayan, em Notes on Neopaganism:
“Em resposta à religião monoteísta, que concentra todos os valores positivos em Deus, deixando a humanidade numa posição submissa, os neo-pagãos assumem uma visão de mundo pagã que alega que os mitos são superiores; porque o politeísmo dá a seus aderentes uma grande independência, uma maior abrangência de escolha, uma consciência mais serena, a medida que eles servem a uma variedade de deuses com interesses relativos, ao invés de um Deus absoluto.”
As seitas neo-pagãs procuram desvincular sua imagem de qualquer associação com seitas satânicas. Isto ocorre principalmente entre aquelas que praticam algum tipo de magia; como as diversas formas de Wicca, Asatru e Druidismo, alegando que adoram arquétipos representativos da natureza. Contudo, é claro o fato de que os rituais praticados por estas seitas são fundamentados no culto a ídolos pagãos e ainda que não sejam exigidos por estes ídolos os sacrifícios de animais e mesmo humanos, como eram no passado e como ainda são em algumas seitas animistas e satânicas; este tipo de idolatria afasta os seus praticantes do verdadeiro e único Deus, fazendo com os seus praticantes retornem a um primitivismo religioso característico dos tempos de maior obscurantismo espiritual já experimentado pelo ser humano.
“Porque todos os deuses dos povos são ídolos; mas o Senhor fez os céus.” (Salmos 96:5)
Este obscurantismo espiritual ainda não foi completamente extinto. O neo-paganismo encontra suporte também em sociedades contemporâneas que se acham em fase de pré-desenvolvimento econômico e social, como em algumas regiões da África e da Ásia. Nestas sociedades, ainda é comum a prática de religiões pagãs animistas como o candomblé, a umbanda e o vodu; encontradas na África, na América Central e Latina. Ainda é comum também a prática do xamanismo, que é uma forma animista de curandeirismo e feitiçaria; que ocorre em algumas comunidades não-budistas na Sibéria e na Ásia, como também na América Latina e em algumas formas de hinduísmo.
O neo paganismo tem conseguido grande projeção e influência no mundo de hoje, principalmente por causa de suas características ecléticas e humanistas, o que o torna aderente à agenda política mundial, principalmente aquela defendida abertamente ou de maneira velada pela ONU, e de uma maneira mais abrangente, pelas sociedades secretas atualmente existentes.
É necessário distinguir duas formas de neo-paganismo: O europeu, que remonta às antigas religiões pré-cristãs, e o americano, oriundo de diversas formas de ocultismo, do século 19 e início do século 20. Entre estas formas de ocultismo foram principalmente influentes a sociedade Teosófica de Madame Blavatsky, a Sociedade secreta Golden Dawn e a Ordo Templi Orientis, de Aleister Crowley. As práticas espiritualistas neo-pagãs estão entretanto embasadas em uma mesma filosofia; que por suas características hedonistas e antropocêntricas, pode ser sintetizada no humanismo.
A origem humanista da filosofia neo-pagã na verdade não é recente, mas remonta às idéias de Nietzsche, que defendia a total liberação do homem de quaisquer restrições morais religiosas; e que em Der Antichrist (O Anticristo), condenou abertamente o cristianismo, o qual ele julgou sobretudo através da corrupção que ele identificava na igreja romana da sua época: “Eu finalmente chego à conclusão e pronuncio o meu veredicto. Eu condeno o cristianismo, eu levanto contra a igreja cristã a mais terrível acusação jamais pronunciada.”
O verdadeiro pensamento neo-pagão nasceu na Europa e defende não um simples retorno ao politeísmo primitivo, mas acima de tudo a liberdade de cada povo escolher a sua própria religião. Crêem que existem vários caminhos que levam à realização espiritual, que Deus é imanente e que não existe uma verdade absoluta e portanto, uma moralidade absoluta como aquela pregada pelo cristianismo. A natureza amoral dos deuses pagãos permite ao neo-pagão viver livre das restrições morais e, a longo prazo, procurar não o aprimoramento moral; mas o das suas qualidades humanas intelectuais, psicológicas e biológicas.
Praticam entretanto, o culto aos antigos mitos pagãos europeus, como os normandos, os celtas e os germânicos, com grande interesse especialmente no druidismo e no odinismo. Adotam hoje as celebrações simbólicas e festividades comunitárias de adoração à natureza e à energia natural; como um desafio à supremacia religiosa judaico-cristã, a qual buscam substituir. Afirmam buscar não um retorno ao passado, mas uma nova abertura às suas raízes culturais. É necessário lembrar que este rancor cultural contra o cristianismo foi o mesmo que deu origem, em 1933, ao nazismo, que era uma forma de paganismo nacionalista; mesclado com idéias deturpadas de evolucionismo, o qual culminou na terrível política anti-semita, cujas conseqüências são ainda hoje execradas.
A Europa é hoje o continente onde houve maior abandono do cristianismo. O materialismo e o racionalismo cultural transformaram as igrejas cristãs em meros monumentos arquitetônicos, patrimônio cultural de um tempo que os europeus buscam esquecer. A secularização da sociedade pós-moderna deixa claro que não há lugar para a idéia de um único Deus, a cuja verdade soberana todos devem se submeter; e que anuncia através do Evangelho de Cristo que a verdadeira vida não está no mundo como o conhecemos, mas em seu Reino espiritual. A riqueza material e o culto ao individualismo das nações européias; fizeram com que os povos se sentissem independentes de um único Deus e até mesmo de quaisquer outros deuses.
O neo-paganismo que se difundiu nas Américas, entretanto, sobretudo nos Estados Unidos, tem um caráter menos filosófico e mais utilitário. As Américas não possuem uma herança cultural pagã tão forte quanto a Europa, tanto geográfica quanto historicamente. As antigas civilizações maia, inca e asteca quando não estavam bastante separadas no tempo, estavam muito separadas no espaço e assim não constituíram um legado cultural uniforme para os atuais povos das Américas, cuja história cultural tem origem na cultura de seus colonizadores europeus. Por este motivo, o neo-paganismo na América se desenvolveu mais em torno das religiões orientais, popularmente difundidas pelo movimento hippie da década de 1960.
O Esalen Institute foi fundado em 1962 na região de Big Sur, Califórnia, e logo se tornou conhecido por sua orientação filosófica que combinava doutrinas orientais e ocidentais. Inicialmente construído com o objetivo de ser um spa terapêutico no estilo europeu, foi adquirido pelos psicólogos Michael Murphy e Dick Price , que passaram a oferecer ali workshops experimentais e didáticos e promoviam um intenso fluxo de filósofos, psicólogos, artistas e religiosos liberais. O instituto foi freqüentado nesta época por muitos pensadores e artistas que viriam a se tornar a líderes do movimento conhecido como New Age, ou Nova Era: Aldous e Laura Huxley, Allan Watts, Fritz Perls, Fritjof Capra, Deepak Chopra e Timothy Leary entre outros. O movimento Nova Era é sem dúvida, a mais significativa expressão do neo-paganismo, sobretudo nas Américas.
Embora existam referências à expressão “Nova Era” em várias obras ocultistas e literárias desde o século 19, este movimento tomou forma no início dos anos 1900. Nesta época, o místico e teólogo norte-americano Edgar Cayce, alegando ser intermediário de “canalizações” espirituais, fundou o Association for Research and Enlightenment. Este movimento combinou posteriormente doutrinas espiritualistas como Teosofia, Espiritualismo (baseado na obra de Swedenborg), Novo Pensamento (fundado por William James), práticas de medicina alternativa e ensinamentos ocultistas tradicionais, como astrologia, magia, alquimia e cabala. O uso do termo no século 20 teve início em 1970, através do New Age Journal; um periódico mensal norte-americano, publicado por uma série de pequenas livrarias especializadas em assuntos metafísicos e místicos.
Em 1987, um evento esotérico e religioso ocorrido a nível mundial em vários locais do planeta considerados sagrados, ficou conhecido com o nome de Convergência Harmônica e foi proclamado por alguns de seus participantes, os quais se auto-denominavam “seres de luz”, como sendo o início de uma nova era espiritual para o planeta. A data do evento foi determinada com base no calendário maia e também em tradições astrológicas européias e asiáticas e foi caracterizado por um alinhamento astronômico específico de corpos celestes.
Locais como o Monte Shasta (EUA), Stonehenge (Inglaterra), Sedona (EUA), a ponte Golden Gate (EUA), Bolinas (EUA), Haleakala Crestone (EUA), Dunn Meadow (EUA) foram palco de encontros coletivos em que os participantes se envolviam em atividades tipicamente neo-pagãs de oração, cânticos, meditação, danças e rituais. A grande divulgação deste evento pela mídia popularizou o movimento Nova Era em todo o mundo, e contribuiu para tornar várias práticas esotéricas como o uso de cristais de quartzo para a cura e “energização” pessoal e de ambientes, a “canalização”, que é uma espécie de mediunidade espiritual e idéias sobre reencarnação e vida extra-terrestre; em componentes permanentes da cultura norte-americana e, por extensão, da cultura de outros países americanos.
A mídia cultural norte-americana começou a difundir a filosofia neo-pagã através dos chamados comic books, ou histórias em quadrinhos, a partir de 1938, com o lançamento nos Estados Unidos de Superman, o herói dotado de super-poderes que veio a se tornar o primeiro mito moderno. O conceito de dupla identidade, ou seja, um homem comum que possui uma segunda identidade dotada de super-poderes, veio estabelecer o mito do herói popular como uma alternativa neo-pagã à idéia de Deus. Depois de Superman, seguiram-se outros tantos super-heróis semelhantes, popularizados pela Marvel Comics, a partir de 1941, com a publicação de Captain America. Certamente era necessário que a cultura neo-pagã criasse um substituto para a idéia de Deus; pois conforme o próprio Nietzsche constata em 1882 em Die fröhliche Wissenschaft (A Gaia Ciência), para o novo mundo secularizado pelas idéias iluministas do século 18, Deus estava morto e os próprios homens o haviam matado.
A filosofia neo-pagã é hoje aberta ou sutilmente difundida através da arte, sobretudo na literatura e no cinema e atinge todos os públicos, desde o infantil; através de obras como Harry Potter, de 2001 e The Golden Compass (A Bússola de Ouro), de 2007; o público jovem, através de filmes como Fantastic Four (O Quarteto Fantástico), de 2005, Hellboy, de 2004 e seriados como Heroes, de 2006; até o público adulto, através de seriados ingênuos como Bewitched (A Feiticeira), de 1964, ou intrigantes, como Lost, de 2004 e de filmes de conteúdo mais profundo, como Matrix, de 1999. Alguns artistas mundialmente conhecidos e popularmente chamados superstars, têm contribuído significativamente para a divulgação das filosofias e práticas neo-pagãs, como a atriz Shirley MacLaine, através da série Out on a Limb, de 1987 e de suas várias obras literárias; o ator Tom Cruise, que dá seu aval pessoal à doutrina da Cientologia e a cantora Madonna, que divulga a Cabala.
Estas obras não induzem necessariamente as pessoas a se envolverem com religiões ou seitas neo-pagãs; mas reforçam sem dúvida os sentimentos anti-cristãos, incutem a dúvida intelectual entre os simpatizantes do cristianismo e de outras religiões e afrontam; às vezes abertamente, a igreja e os princípios cristãos. O resultado final da apologia cultural ao neo-paganismo é sem dúvida, o afastamento da sociedade pós-moderna do Deus único e verdadeiro e da verdadeira igreja de Cristo; que é o único caminho de salvação espiritual humana, e a única esperança de vida e bem-aventurança para a humanidade. Satanás ofereceu a Eva poder e a liberdade egoísta, mas o que ela e Adão obtiveram foi apenas a escravidão e a morte. Cristo hoje nos oferece a oportunidade de nos libertamos desta trágica herança do pecado e escolher a receber a vida eterna e a verdadeira liberdade, enquanto ainda há tempo.
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Não se preoculpe, vamos cada um semeiar o bem, e olhar para sua vida.
Quanto mais que nos preoculpar-mos com os outros, pior será.
Temos que ter pelo menos um principio ; AMAR E FAZER O BEM COM O BEM, criticar não resolverará absolutamente nada.
Se quem acredita em fadas e duente faz o bem, é o que “deveria” importar.
Assim como tem muitos cristãos que de bem não fez nada (sei de exemploS fluenteS).
Um abraço e fique na paz.
Olá Fabio,
Obrigado por sua visita ao meu blog.
Minha intenção, quando publico estes artigos, não é a de criticar quem quer que seja por suas crenças, mas a de alertar para o fato de que nem todos os caminhos levam a Deus.
Fazer o bem é algo essencial, Fábio e realmente é o fruto característico daqueles que verdadeiramente amam a Deus. Entretanto, a justiça de Deus é mais perfeita que isto, pois o verdadeiro e único Deus é SANTO e em seu Reino não poderão entrar os que vivem em pecado.
Por isto, não basta fazer o bem e ao mesmo tempo se entregar a uma vida de pecado, ou cultuar ídolos e deuses pagãos, como se uma coisa compensasse a outra, como também não basta dizer que é cristão sem demonstrar que realmente nasceu de novo em Cristo, através da realização de boas obras, dignas da salvação que recebeu.
Procuro alertar as pessoas para o fato de que fomos todos concebidos em pecado e portanto não podemos ser salvos apenas por sermos pessoas “do bem” e por “fazermos o bem”. Se não formos justificados perante Deus, através da fé em Cristo, de nada valem nossas boas intenções, pois as nossas mãos estão sujas pelo pecado. Somente através de Cristo podemos nos libertar da corrupção da nossa natureza e nos tornarmos SANTOS perante Deus, através da batalha diária contra o pecado.
Sinto que as pessoas têm uma resistência muito grande em aceitar isto, pois é mais fácil acreditar que basta ter um bom caráter e “fazer o bem” para entrar no Reino de Deus, mas isto não é verdade. Se você crê em Jesus Cristo, basta refletir no que ele espera de cada um de nós: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.” (Mateus 5:48)
Que Deus possa iluminar seu coração para que compreenda isto!
A Paz de Cristo
Washington