Homossexualismo e Feminismo – Parte 1 de 2

Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne. (Gênesis 2.24)

No passado, os estudos de Sigmund Freud influenciaram a psiquiatria, a antropologia, o serviço social, a criminalística, a educação e forneceram material praticamente sem limites para a arte. Freud criou “um clima de opiniões totalmente novo”; para o bem ou para o mal, ele mudou a face da sociedade. O vocabulário da psicanálise passou para a linguagem do dia-a-dia.

Freud postulou que a razão porque pensamos da maneira como pensamos é que no início da vida, do nascimento aos cinco anos, passamos pelo que ele chamou de fases psicossexuais de desenvolvimento. Freud ensinou que nossas experiências psicológicas na infância seriam então fundamentais para a nossa personalidade. De acordo com Freud, o que determina as nossas atitudes e o nosso comportamento como adultos, seria a estruturação psíquica que foi construída em nossa infância. Grande parte da responsabilidade pelos nossos atos se deveria assim a esta programação psicológica, adquirida da família e da sociedade, pela qual teríamos sido condicionados através das experiências iniciais de vida; de uma forma totalmente inconsciente.

Vários estudos na área da biologia têm demonstrado, ainda que a maioria delas de forma não totalmente conclusiva, a existência de uma correlação entre os aspectos genéticos e características fisiológicas do cérebro humano e a orientação sexual do indivíduo. Segundo estes estudos, a orientação sexual do indivíduo, como também a maior propensão para a criminalidade, poderiam ser determinadas por estas características biológicas. Também a zoologia tem identificado, entre animais, determinados comportamentos homossexuais, como mostra um artigo publicado recentemente pela revista Scientific American. Entretanto, como conclui o artigo, este comportamento é de natureza temporária e tem função exclusivamente adaptativa; constituindo uma forma de estratégia de convivência de algumas espécies em determinadas situações, como recurso para preservação da fecundidade e para proteção dos mais jovens.

Estes estudos e teorias muitas vezes são utilizados como uma justificativa científica para a aceitação da homossexualidade como uma característica normal da personalidade humana. Entretanto, a Bíblia afirma claramente que o homossexualismo, assim como o comportamento criminoso que leva o indivíduo a roubar, matar, e violentar são inaceitáveis para Deus. Sendo Deus onisciente, não poderia condenar atos humanos que estivessem naturalmente inculcados na própria natureza humana. Deus não considera o pecado como um comportamento natural humano, mas como uma conseqüência de sua queda espiritual, que causou a corrupção de nossa natureza original perfeita. A psicologia humana, seja ela freudiana ou não, considera entretanto que todas as inclinações humanas são naturais, pois são decorrentes da formação biológica e psíquica do indivíduo. A psicologia humana distingue apenas as inclinações patológicas das inclinações saudáveis, considerando como patológicos aqueles comportamentos que levam o indivíduo a se relacionar de forma insatisfatória com a realidade, causando com isto prejuízos para seu bem estar e sua realização pessoal, e/ou para a sociedade.

O chamado Relatório Kinsey, foi um conjunto de dois estudos da sexualidade da população masculina e feminina norte-americana publicados respectivamente em 1948 e 1953. Os resultados apresentados demonstravam um significativo envolvimento, que variava com o tempo, da população sobretudo masculina, com alguma forma de relacionamento homossexual. Kinsey adotou em sua pesquisa uma escala de orientação sexual que variava de 0, para um comportamento totalmente homossexual; até 6, para um comportamento totalmente homossexual. Um dos dados deste estudo foi que 11,6 % dos homens e 7% das mulheres solteiros entre 20 e 35 anos, se enquadravam no nível 3 da escala Kinsey; o estudo também afirmou que 10% dos homens entrevistados entre as idades de 16 a 55 anos; tiveram comportamento “mais ou menos homossexual por pelo menos três anos, enquadrando-se entre os níveis 5 e 6 da escala Kinsey.

Este relatório foi e ainda é equivocadamente utilizado, para demonstrar a “normalidade” do comportamento homossexual na sociedade moderna. O Relatório Kinsey foi amplamente desacreditado na época de sua publicação por suas falhas metodológicas, pela American Statiscal Association e por psicólogos renomados como Abraham Maslow. Embora os dados coletados tenham sido posteriormente estatisticamente corrigidos de forma a eliminar aqueles claramente não representativos, os resultados não se alteraram significativamente. Entretanto, uma pesquisa independente realizada pouco depois pelo Alan Guttmacher Institute, entre 3.321 homens norte-americanos entre 20 e 30 anos, em 1993, encontrou percentuais bastante inferiores de indivíduos com algum envolvimento homossexual, do que aqueles encontrados por Kinsey.

Além disso, outros críticos lembraram que o comportamento sexual do próprio Kinsey interferiu de certa forma em seu estudo. Na biografia de Kinsey publicada por James H.Jones’s , ele é descrito como bissexual e adepto de práticas masoquistas, sexo grupal e troca de casais. Além disso, Kinsey, embora segundo ele próprio não fosse declaradamente um pedófilo, tinha simpatia por este tipo de sexualidade e se relacionava com pedófilos como o filósofo francês René Guyon, que era pedófilo. Conforme lembra Júlio Severo em As Ilusões do Movimento Gay, “ele também era amigo do Dr. Harry Benjamin, inglês que apoiava a pedofilia. Guyon, que era jurista, propunha leis para defender o relacionamento sexual de adultos com crianças como necessidade tão normal quanto a alimentação e a respiração. No livro A Ética dos Atos Sexuais, de Guyon, há menções ao Relatório Kinsey e a introdução foi escrita pelo próprio Kinsey.” Estudos mais recentes, como os de Paul Cameron, de 1985 e de Thomas E. Schmidt, de 1995, demonstraram estatisticamente que a pedofilia é um problema maior entre os homossexuais que entre os heterossexuais.

Deus conhece o mais íntimo do nosso ser, pois é o nosso criador. Ele não nos pediria para obedecer princípios que ele soubesse que nos seria impossível praticar. O que Deus considera patológico em nossa psicologia é certamente diferente do que foi estabelecido pela psicologia humana, pois os referenciais humano e divino são absolutamente diversos. Além disso, Deus considera que através de nossa livre vontade e da fé; é possível superar o efeito patológico do pecado em nossas vidas, tenha ele causa biológica ou psicológica, por meio da graça que nos é concedida em Cristo. Qualquer criminoso ou indivíduo escravizado por algum tipo de vício pode se libertar e se reabilitar perante Deus e perante a sociedade, se verdadeiramente assim o desejar.

A Bíblia nunca submete a responsabilidade pessoal por nossos atos a condicionamentos genéticos ou sociais. Desde que tanto homossexuais quanto heterossexuais são pecadores, conforme ensina Romanos 3:23, ninguém pode ser considerado inculpável por seus pecados devido a estes condicionamentos. A orientação heterossexual também pode ser genética; especialmente se é aceito que a orientação homossexual é genética, mas isto não é uma justificativa válida para a prática do adultério e da promiscuidade sexual.

Devido ao aumento da liberalidade sexual, causada pelo desprezo aos valores cristãos em nossa sociedade; os grupos de orientação homossexual e seus simpatizantes têm se organizado de forma cada vez mais efetiva e se mobilizado, no sentido de exigir da sociedade a legitimação da homossexualidade. Esta mobilização se dá no sentido de buscar o reconhecimento legal do relacionamento homossexual e também o de eliminar o chamado “preconceito” cultural em relação à homossexualidade. Esta mobilização tem alcançado resultados significativos, tendo em vista a aceitação crescente, em vários países, da união homossexual estável do ponto de vista jurídico, como também da aceitação cultural da conduta homossexual.

A maior barreira enfrentada pelos defensores da homossexualidade é naturalmente o cristianismo; que afirma de forma clara e consistente, por todas as suas vertentes, ser a homossexualidade um crime perante Deus. Por esta razão, o movimento tem procurado encontrar meios de compatibilizar as Escrituras com a conduta homossexual, valendo-se para isto de expedientes de exegese bíblica que justificam até mesmo a criação de igrejas destinadas exclusivamente ao público homossexual. Como a igreja cristã tem reagido a isso?

Recentemente, grandes denominações cristãs como a Igreja Episcopal, a Igreja Presbiteriana e a Igreja Metodista nos EUA, têm sido forçadas a confrontar uma onda crescente de influência homossexual. Em 2003, a Igreja Episcopal anunciou a aceitação de seu primeiro bispo homossexual. Mesmo baluartes cristãos conservadores como a Convenção Batista do Sul, tiveram que lidar com este desconfortável tema, expulsando algumas igrejas de sua filiação, por haverem comprovadamente aceito homossexuais entre seus ministros. A controvérsia afetou também instituições governamentais e durante o governo do presidente Clinton, os EUA implementaram a política que ficou conhecida como “Não Pergunte, Não Conte” entre os seus militares. Esta política era na verdade um compromisso cínico de aceitação da conduta homossexual entre as suas fileiras, com a condição que esta preferência sexual não fosse tornada pública.

No Brasil, a Igreja Cristã Contemporânea se propõe a oferecer um refúgio a homossexuais em geral, embora não se restrinja a este público. Entretanto, a atitude cristã de não discriminar o pecador, mas repudiar o pecado é cumprida apenas em parte nesta denominação. Além disso, o pastor Marcos Gladstone demonstra, além da falta de conhecimento das Escrituras, não possuir também fé no poder salvífico de Jesus, como atesta seu depoimento, em seu site, na página sobre o assunto Homossexualidade::

“É normal e natural um indivíduo ser homossexual, como uma pessoa é destra ou canhota, como ter olhos verdes ou castanhos. Anormal é um indivíduo não ser o que é ou enganar as pessoas reprimindo sua orientação que nunca deixou de existir, como ocorre nos casos das terapias “ex-gay”. Eu não conheço nenhum “ex-gay” – ao contrário, sempre chegam até nós muitos “ex-ex-gay” que confirmam que o que fizeram foi só reprimir até um dia largarem tudo e deixarem a Deus.”

O que no passado era considerado tabu e algo vergonhoso, uma verdadeira doença mental, atualmente é aceito como razoável e respeitável. Esta mudança de consideração se deve a dois principais fatores, o primeiro deles relacionado à filosofia humanista que vem ganhando crescente influência na sociedade, desde o século 19 e a exclusão; pelos órgãos regulamentadores da prática da psicologia e psiquiatria em todo o mundo, da homossexualidade da lista das patologias psíquicas, a partir de 1973.

Os defensores do homossexualismo contam em suas fileiras até mesmo com teólogos dispostos a provar, através de uma estranha exegese bíblica, que Deus na verdade não condena esta opção sexual. Entre as passagens bíblicas que indicam claramente ser o a homossexualidade um comportamento abominável perante Deus, as seguintes são as mais polêmicas:

a) A destruição de Sodoma e Gomorra

“[...] Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens na cidade, tira-os para fora deste lugar; porque nós vamos destruir este lugar, porquanto o seu clamor se tem avolumado diante do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo. (Gênesis 19:12-13)

A exegese pró-homossexualismo afirma que estas cidades não foram destruídas por Deus por causa da homossexualidade, mas por causa de sua falta de hospitalidade para como os anjos enviados à casa de Ló. Embora não haja nenhuma afirmação explícita de que o homossexualismo era um dos pecados pelos quais Sodoma e Gomorra foram condenadas, uma leitura cuidadosa sobre o assunto revela que este era sem dúvida um dos pecados que caracterizavam o alto grau de depravação de costumes alcançado por aquelas cidades. (Juízes 7 e 2 Pedro 2:6, 13-14). Jeremias (23:14) e Ezequiel (16:49-50) citaram estas cidades como exemplo de depravação e pecado. O fato de a prática do homossexualismo não estar especificamente citada nas referidas passagens bíblicas, não significa portanto que ela não seja pecaminosa. Jesus nunca falou nada contra os homossexuais, mas também não condenou de forma específica os estupradores, os gulosos, os adivinhadores, os estelionatários, etc., o que não significa que ele aprovasse estas práticas.

b) As ordenanças de Levítico

“Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação.” (Levítico 18.22)

“Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse com mulher, ambos terão praticado abominação; certamente serão mortos; o seu sangue será sobre eles.” (Levítico 20.13)

Os defensores do homossexualismo afirmam que os versículos acima fazem parte de um “código de santidade” de Israel, que incluía a proibição de ingerir determinados alimentos e manter afastados os leprosos. Este código teria como propósito, apenas manter os judeus livres da idolatria e preservar um modo de vida higiênico e sadio. Segundo este raciocínio, se a proibição do homossexualismo for mantida em nosso tempo, também deveriam ser as demais proibições, por uma questão de coerência. Afirmam ainda; que a condenação do homossexualismo nos tempos bíblicos era devida à sua relação simbólica então existente, com rituais pagãos e idólatras e dessa forma; assim como as demais proibições da lei mosaica foram abandonadas no período neo-testamentário, também a proibição da homossexualidade deveria ser desprezada.

As práticas proibidas em Levítico incluíam incesto, adultério, sacrifício de crianças, homossexualidade, bestialidade, espiritismo e lançamento de maldições sobre os pais. Apenas uma das práticas proibidas apresenta conotação cultual ou simbólica, que é a relação sexual durante o período menstrual. A homossexualidade, entretanto, é citada no mesmo contexto de outras práticas que nada têm de simbólicas. São portanto consideradas por Deus como pecados graves, em caráter absolutamente atemporal e supracultural; ou seja, independentemente de época ou cultura. Isto significa que considerar legítima a prática do homossexualismo nos dias atuais implicaria também em aceitar como legítimas, as demais práticas condenadas, uma vez que elas eram relativas ao contexto cultural da época.

A maioria dos cristãos concorda em que as leis morais enunciadas em Levítico 18 se aplicam de forma independente de seu contexto cultural, como evidenciado no Novo Testamento, em 1Coríntios 5, 6:9 e 10:7; Romanos 1:27 e 13:9 e Apocalipse 2:14.

c) A condenação de Paulo

“Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro.” (Romanos 1.26-27)

O movimento pró-homossexualidade argumenta que nestes versos, Paulo não condena os indivíduos que apresentam um comportamento homossexual inato, mas apenas aqueles que, sendo heterossexuais, abandonam sua orientação sexual natural e adotam práticas homossexuais. Boswell, um dos defensores desta interpretação, afirma que as traduções atuais utilizam indevidamente a expressão “contrário à natureza”, quando a tradução correta deveria ser “além do natural”; no sentido de “peculiar, extraordinário”, não havendo aí uma condenação implícita desta prática. Boswell afirma que não havia uma idéia clara do que era o comportamento sexual natural na época de Paulo.

O erro desta interpretação é se basear na premissa de que, para que Paulo condenasse o homossexualismo, ele deveria se basear em uma noção humana de comportamento sexual natural. Ao condenar esta prática, Paulo está se baseando, como na maioria de suas orientações às igrejas, unicamente nas Escrituras; ou seja, na vontade de Deus. Com relação à tradução da expressão grega “para physin“, Dunn nota que a palavra “natureza” mantém o significado estóico de viver em harmonia com a ordem natural. Mas afirma que “a noção de atos ‘contrários à natureza’ está também presente, com particular referência a relações sexuais como a pederastia”. No estudo de Koster sobre o termo “physin“, ele afirma que a expressão “para physin” refere-se a pederastia. Koster afirma ainda que “para physin” é utilizada também para descrever um casamento em que a mulher é na realidade um homem [...] Em particular, estas expressões são usadas em julgamentos éticos acima de tudo com referência a falhas de natureza sexual.

Na Grécia Antiga, as relações entre homens, que hoje chamamos de homossexualismo, eram quase sempre orientadas para finalidades específicas e ultrapassavam a simples busca do prazer sexual. A pederastia visava a formação do jovem, tanto em Esparta quanto em Atenas. Tão logo aparecesse no adolescente os primeiros sinais de virilidade; a primeira barba, que por volta dos 17 ou 18 anos já era evidente, deveria cessar esse relacionamento. Permanecer nessa relação após o advento da virilidade era reprovável. No exército espartano, o amor entre soldados era tido como elemento que promovia o fortalecimento moral da corporação. Em nenhum dos dois casos estava excluída a relação heterossexual. A homossexualidade viciosa entretanto, fora dos contextos acima, era não apenas reprovável, mas punível legalmente, exceto quando praticada como prostituição. Conforme afirma Platão no seu diálogo Leis:

“Quando o homem se une à mulher para procriação, o prazer experimentado se deve à natureza (kata physin), mas é contrário à natureza (para physin) quando o homem se une ao homem, ou a mulher à mulher, e aqueles culpados de tais perversidades são impelidos por sua escravidão ao prazer, tanto que ninguém deve se aventurar a tocar qualquer um dos nobres ou cidadãos livres salvo sua própria esposa casada, nem semear qualquer semente profana e bastarda na fornicação, ou qualquer semente não-natural e estéril na sodomia – ou então nós deveremos inteiramente abolir o amor por homens”.

Segundo Ésquino, um orador socrático ateniense, aos cidadãos adeptos da prática da sodomia eram impostas as seguintes restrições:

“Se qualquer [cidadão] ateniense houver se prostituído [com outro homem], não deverá ser permitido que ele se torne um dos nove arcontes, nem que ocupe o cargo de sacerdote, nem que aja como advogado do estado, nem que ocupe qualquer cargo que seja, no país ou fora dele, quer seja preenchido por designação ou eleição; não deverá ser enviado como arauto; não deverá participar de debates, nem estar presente em sacrifícios públicos; ele não deverá usar guirlandas entre outros cidadãos; e não deverá adentrar em recinto que houver sido purificado para assembléia popular. Se qualquer homem que tenha sido declarado culpado de prostituição agir contrariamente a estas proibições, deverá ser morto.”

Paulo condena ainda o homossexualismo em sua primeira carta aos Coríntios e em sua primeira carta a Timóteo:

“Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados [malakos], nem os sodomitas [arsenokoitai]” (1Coríntios 6.9)

“Para os devassos, os sodomitas [arsenokoitai], os roubadores de homens, os mentirosos, os perjuros, e para tudo que for contrário à sã doutrina” (1Timóteo 1.10)

Boswell argumenta aqui que as traduções usadas para sodomitas no grego são equivocadas. Segundo ele, malakos não era utilizada para se referir a homossexuais, mas a incontinência, imoralidade, lascívia; e que o termo tinha originalmente a conotação de “suave” e poderia estar se referindo a um jovem com características femininas. Mas como observa Gordon Fee, malakos também se tornou um epíteto pejorativo para homens que eram “suaves” ou efeminados, provavelmente referindo-se ao parceiro passivo da relação homossexual. Este não seria certamente o termo que Paulo utilizaria para descrever um comportamento de incontinência ou lascívia.

O termo arsenokoitai é a forma plural de arsenokoites, e é composto de dois outros, arsen-, que significa masculino e koite, que significa leito, poltrona ou relação sexual. A tradução literal seria “aquele que se deita com homens”. De qualquer forma, a discussão semântica isoladamente mascara o fato de que estes termos estão em um contexto do discurso de Paulo claramente voltado para a condenação de pecados de natureza sexual. Para entendermos a atitude de Paulo com relação à homossexualidade, basta notarmos a sua origem judaica, que abomina tal conduta, e também a forma como ele se refere a ela, em Romanos 1:26-27.

Entretanto, o que os defensores do homossexualismo não podem compreender é o fato de que Paulo não condena essa prática por uma aversão pessoal, mas por que ele é fiel às Escrituras, que também a condenam. Paulo via claramente que a degeneração sexual dos romanos e dos gregos de sua época era uma conseqüência do fato destes povos adorarem os seus ídolos pagãos e de não adorar e servir a Deus. Foi por haverem abandonado a sua verdadeira natureza espiritual que Deus permitiu que eles abandonassem também sua natureza sexual e se entregassem “a paixões infames”. Esta foi também a pedra de tropeço dos próprios judeus no período do Antigo Testamento, quando eram continuamente advertidos pelos profetas por se prostituírem espiritualmente, pela prática de adoração e de rituais de devoção aos deuses dos povos pagãos à sua volta. Não é esta também a pedra de tropeço de nossa sociedade hoje?

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