“Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra.” Oséias 6:3
O ser humano possui uma característica intelectual que revela, de forma emblemática, a sua natureza egocêntrica e a sua mais absoluta falta de sabedoria. As pessoas em geral tendem a formar opiniões acerca de uma determinada questão com base apenas em algumas informações, às quais agregam os seus valores pessoais já formados. É lamentável e assustador perceber entretanto a dedicação com que se aferram a estas opiniões preconcebidas, como se fossem para elas a verdade absoluta.
Quando desafiados, tendemos a buscar mais informações que venham a confirmar o nosso ponto de vista já estabelecido, de forma a demonstrar o erro de nosso opositor. Raramente nos damos ao trabalho de estudar, de forma imparcial e isenta, os diversos lados da questão, de forma a buscar evidências realmente honestas da solução mais provável para uma determinada questão. Um escritor de quem já não me lembro, certa vez propôs uma estratégia para conduzir uma discussão honesta sobre qualquer assunto. A estratégia consistia em provar que o opositor estava correto, isto é, ao invés de se apegar ao seu próprio ponto de vista, cada participante de uma discussão deveria tentar provar que o ponto de vista de seu opositor estava correto, e não o seu. Partindo desta suposição, ambos deveriam então testar esta hipótese com base em considerações do tipo “se…então”; até chegar assim à verdade.
A questão da parcialidade e da superficialidade são a base dos preconceitos e a maior barreira para o entendimento humano, em quaisquer questões. O orgulho, a vaidade e a ignorância continuarão sempre dividindo os seres humanos segundo suas crenças e opiniões. Estas divisões não se limitam entretanto apenas aos incultos, mas caracteriza até mesmo os círculos acadêmicos da ciência e da filosofia. O ritmo de vida frenético da sociedade ocidental, sobretudo após a era moderna, tem contribuído sem dúvida para agravar esta situação, pois se por um lado se disponibiliza um volume cada maior de informações para um maior número de pessoas, paradoxalmente se reduz o tempo disponível destas pessoas para acessar estas informações, e ainda mais o tempo disponível para criticá-las e refletir sobre elas.
Torna-se assim mais prático escolher uma posição, com relação a qualquer questão; com base em valores pessoais, na opinião geral e em algumas informações ao acaso, do que se dar ao trabalho de estudar e investigar a fundo o assunto. Isto porém pode ter consequências imprevisíveis, pois muitas pessoas somente se dão conta tardiamente em suas vidas, de que a opinião a que tanto se apegaram por tanto tempo a respeito de um determinado assunto estava equivocada e que por este motivo cometeram vários erros.
Evidentemente, não dispomos de tempo suficiente para nos dedicarmos a estudar muitas questões acerca de assuntos políticos, econômicos, artísticos, culturais e científicos. Os assuntos de ordem prática que envolvem a nossa vida em sociedade já requerem uma grande dedicação. Quando muito nos debruçamos um dia ou outro sobre alguma questão acerca de saúde, alimentação e legislação, de modo a obter um conhecimento mais profundo acerca de problemas que nos afetam de forma urgente e direta no cotidiano. Quanto aos demais assuntos, geralmente adotamos as opiniões divulgadas pela mídia, que é um porta-voz da ciência e da ideologia das classes dominantes de nossa sociedade.
O perigo desta atitude no entanto, é que ela nos leva normalmente a relegar como secundários determinados assuntos que são na verdade essenciais, e nos faz crer que são irrelevantes ou que não são de nossa alçada questões que na verdade são vitais. Isto ocorre por exemplo com a banalização, pela mídia, da violência social e política, da miséria, da ignorância e da sexualidade humanas. Esta banalização nos leva a negligenciar assuntos de grande importância, como fossem naturais, como se não nos dissessem respeito ou como se fôssemos impotentes para fazer qualquer diferença em relação aos mesmos.
O maior destes equívocos entretanto acontece quando negligenciamos a religião como algo sem importância, ou como um assunto sobre o qual seria impossível chegar a qualquer consenso, considerando portanto legítima qualquer posição que se venha adotar. Formam-se assim os velhos chavões sobre o tema, como “todos os caminhos levam a Deus”; “Jesus te ama”; “ninguém é dono da verdade”; “futebol e religião não se discute” e outros . A maioria das opiniões expressas normalmente pelas pessoas com relação à religião são superficiais e baseadas e informações errôneas e infundadas. Não deveria causar surpresa portanto o fato de as discussões sobre religião frequentemente terminarem em desavenças, agressões, insultos e servirem para classificar pessoas como sendo “ignorantes”; “hipócritas”; “moralistas”; “depravadas”; e “infiéis”; quando não acabarem simplesmente em brincadeiras e piadas.
Entretanto, nenhum outro assunto é mais relevante ou urgente para o ser humano do que as questões relativas à espiritualidade. A falta de reconhecimento pela ciência da existência de uma dimensão espiritual da realidade não deveria servir como desculpa para negligenciar este assunto. Tampouco a diversidade de religiões e crenças existentes no mundo deveria desestimular o nosso interesse pela busca da autêntica espiritualidade. A nossa atitude com relação à espiritualidade é tão fundamental que determina todas as nossas demais atitudes com relação à vida, tanto neste mundo quanto após a morte. A realidade espiritual está no cerne das mais pungentes questões acerca da origem, da essência e do destino final de nossa existência.
O cristianismo afirma, há mais de dois milênios; que existe apenas um caminho que conduz a Deus e à vida espiritual plena e bem-aventurada e que este caminho é Jesus Cristo, Deus feito homem, que veio ao mundo tornar possível a nossa definitiva e verdadeira redenção espiritual. O cristianismo afirma também que existe uma única verdade espiritual absoluta, e não apenas noções relativas e subjetivas da verdade; que esta verdade absoluta foi revelada aos seres humanos primeiramente através do povo judeu e é proclamada ao mundo deste os tempos de Cristo, através das Escrituras. O cristianismo afirma ainda que houve apenas uma única revelação da verdade absoluta à humanidade e que nenhuma revelação de caráter universal ocorreu antes ou depois dela. Por seu caráter único e exclusivo, o cristianismo tem sido taxado pelos descrentes como intolerante e questionado quanto à sua alegação de ser o único caminho para Deus.
O cristianismo tem sido atacado desde sua origem, de muitas formas, por aqueles que se recusam a aceitar a existência de uma única religião verdadeira. A Bíblia e as igrejas cristãs têm sido o alvo frequente destes ataques, fundamentados ou não, que buscam apontar no cristianismo erros e falhas que demonstrariam que a fé cristã é uma fé como qualquer outra, e portanto equivalente a qualquer religião existente. Entretanto, é necessário notar que a única coisa comum entre o cristianismo e as demais religiões é a humanidade dos seus praticantes, à qual se devem portanto, todas as falhas e defeitos atribuídos à doutrina cristã. Esta doutrina em si mesma, nenhuma falha tem e não se relativiza a nenhum tempo ou cultura, mas é eterna e universal, pois foi inspirada por Deus.
Antes portanto de se desprezar ou atacar a priori a fé cristã sob quaisquer alegações preconcebidas, vale a pena dedicar o maior tempo possível ao estudo aprofundado de sua história, como também ao estudo da Bíblia e de sua história, de forma verdadeiramente isenta e imparcial. Da mesma forma, todo cristão deveria se dedicar sinceramente ao estudo aprofundado não só do cristianismo, mas também das outras religiões, de modo a consolidar a sua fé.
Sejamos sábios e sensatos de forma mínima o suficiente para que não venhamos a fundamentar nossa atitude em relação à vida e à nossa própria existência em meros chavões ou idéias preconceituosas e mal informadas. Sejamos humildes o suficientes para confiar o nossa vida espiritual não apenas à nossa própria razão e julgamento; mas para confessarmos a Deus a nossa impotência intelectual para conhecê-lo e para nos apresentarmos perante ele como crianças, de modo que venhamos assim a conhecer a Cristo e reconhecê-lo como nosso único e suficiente salvador.
“Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.”
Mateus 18:2-3
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