Entretanto, Deus não me abandonara, pois Ele nunca desiste de seus filhos e tinha para mim um plano de vida alternativo, que me conduziria finalmente ao seu encontro e à mudança de rumo de minha vida espiritual, que me conduzia à morte.
Nunca simpatizara com igrejas evangélicas, que via como uma espécie de manifestação mista de ignorância e fanatismo espiritual.
Meu tio, vizinho nosso, frequentava na época uma dessas igrejas, e não cessava de me contar e à minha família as grandes vitórias alcançadas através da igreja e de sua fé em Deus. Ele me convidava vez ou outra a ir com ele até essa igreja, sem nenhum compromisso, apenas para constatar o quê ele dizia.
Por duas ou três vezes eu recusei, não vendo ali nenhuma oportunidade de encontrar a saída que eu tanto buscava para meu desespero.
Um dia no entanto, por insistência de minha mãe, que já havia abandonado o espiritismo, resolvi ir com ela à igreja que meu tio frequentava.
A leitura de um versículo bíblico pelo pastor que presidia o culto nesta minha primeira visita, me sacudiu como uma bomba. Chegando em casa me apressei a descobrir depois, em II Timóteo 1:7 a sua localização:
“Porque Deus não nos deu o espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.”
Senti naquela igreja um forte calor espiritual que me chamou bastante a atenção e me encorajou a voltar. De visitante passei a frequentador assíduo, entusiasmando-me pelo fervor coletivo e pela beleza do louvor levantado a Deus nos cultos.
Pouco a pouco fui me interessando pela Bíblia, livro que eu considerava já ultrapassado e de difícil compreensão. Os versículos foram abrindo para mim uma nova dimensão e se desdobrando diante de meus olhos com toda a sua riqueza de significado, revelando a mensagem viva de Deus para a minha vida.
Pela primeira vez sentia, naquela igreja, a presença viva de Deus e percebia que Ele falava comigo através de meu coração e não do intelecto. Ali, em meio à toda aquela gente que eu antes desprezava, encontrei a verdadeira comunhão com Deus e pude abrir finalmente meu coração ao Seu santo Espírito.
Comecei a buscar realmente a Deus, com sinceridade e empenho pois sabia que não buscava um Deus imaginário ou idealizado, mas um Deus cuja existência eu percebia, não apenas naquela igreja, mas dentro de mim.
Um dia finalmente, enquanto louvava a esse Deus verdadeiro, com alegria e entusiasmo, segurando a mão dos irmãos que me ladeavam, senti fortemente a presença de Jesus ao meu lado.
Eu não pensava nisto, e essa percepção me apanhou de surpresa, o que me levou a olhar instintivamente em direção a Ele. Não posso descrever os sentimentos que me invadiram nesse momento, nem a alegria que senti, por perceber o intenso sentimento de amor e conforto que emanavam de Sua silenciosa presença.
O Cristo que eu tanto buscara racionalmente e nunca encontrara verdadeiramente, revelou-se então a mim com toda a sua benignidade e magnificência de forma arrebatadora, simples e direta, quando abri a Ele o meu coração.
A partir deste dia, consagrei a Ele minha vida e fui confrontado então com a clara consciência de todos os meus erros passados. Fui tomado de grande sentimento de remorso, sentimento amargo, mas que aos poucos se transformou em sincero arrependimento, pela compreensão do significado de todas as consequências destes erros, em minha própria vida e na vida dos quê me cercavam.
Pedi então a Jesus que perdoasse todos esses erros e que salvasse minha alma, pois tinha a firme determinação de recomeçar a minha vida, de nascer de novo, conforme a Sua promessa. A imensa carga de culpa que sentia foi então como quê retirada de meus ombros, quando senti que era perdoado. Acreditei neste perdão, pois Jesus, e somente Ele, conquistou o direito de nos perdoar assim, quando empenhou sua própria vida por nós.
Tentei em vão retomar o meu casamento, mas era tarde demais. Deus me conduziu a partir daí a um deserto de provação espiritual, em quê minha velha estrutura psicológica foi pouco a pouco sendo demolida, enquanto eram lançadas as bases espirituais de um novo homem. Esta foi a primeira porta aberta por Deus em minha vida.
Pouco tempo depois, sofri a morte de minha mãe, que me abalou profundamente e não fosse pela mão que Jesus me estendeu neste momento, não conseguiria superar essa perda.
