Este é um artigo de um professor indiano que se converteu ao Cristianismo, publicado na revista Send em Abril de 1995:
“Tenho sido freqüentemente questionado por meus alunos, como cristão, a respeito da autenticidade, integridade e da credibilidade da Bíblia.
Creio que a Bíblia, originalmente como foi escrita, é expressão fiel da palavra de Deus ao homem e como tal não contem erros.
Entretanto, ao longo do tempo, sofreu várias intervenções humanas como cópias, traduções e compilações, que nem sempre preservavam a fidelidade ao texto original.
Mas exatamente por haver sido inspirada por Deus, a Bíblia não só manteve intacto seu conteúdo essencial como também o seu poder espiritual de mover o coração do homem e instruí-lo na Verdade, como afirmou o apóstolo Paulo.
Lembro-me de quando ainda jovem e recebi de um amigo um exemplar da Bíblia, não conseguia ler mais que duas páginas, pois não via ali mais que uma simples narrativa da epopéia de um povo como tantos outros, com suas lendas e mitos.
Foi somente depois que fui tocado pelo Senhor Jesus, em uma experiência que mudou a minha vida, durante uma viagem que fiz acompanhando alguns missionários cristãos pelo interior de meu país, que meus olhos se abriram. Nunca mais deixei de ler a Bíblia, e até hoje, doze anos após a minha conversão ao Cristianismo, ainda encontro nela revelações e conhecimento insuspeitados.
Posso afirmar hoje, sem sombra de dúvida e como conhecedor de várias religiões, que a única doutrina que causou em minha vida uma mudança realmente significativa e permanente, quer do ponto de vista material ou espiritual, foi o Cristianismo.
A Bíblia não é apenas um manual de conduta, como muitos a consideram, pois não é dirigida ao intelecto mas ao coração espiritual humano, ao espírito do homem. Ela é muito mais que isso, é uma fonte de princípios eternos e abrangentes, que transmitem a Verdade, revelam a natureza de Deus e orientam quanto ao verdadeiro sentido da vida. A Bíblia não é uma obra construída apenas de palavras ou narrativas mas possui uma profundidade que vai muito além do aspecto literário.
A Bíblia não é porém um livro mágico ou milagroso, cuja posse ou leitura por si só possua algum poder sobrenatural. Ela aponta, do início ao fim, para o Cristo Jesus e sua missão redentora e reveladora de Deus e da eternidade da vida espiritual, demonstrada por sua ressurreição. Foi para ele que ela foi escrita, e é somente quando encontramos o Senhor Jesus através da Bíblia, é que podemos ser espiritualmente transformados e receber a herança da vida eterna.
Além de revelar o Filho, a Bíblia revela também o Pai e o Espírito. Ela revela não um deus abstrato, impessoal, imperceptível e inapreensível, mas um deus pessoal, vivo, um Pai transcendental em busca da regeneração de seus filhos. Ela revela um mesmo e único Deus, do início ao fim, que age porém de formas diferentes ao longo do tempo. .
Muitos recusam o Deus bíblico, pois ele lhes parece um deus vingativo e cruel, que se deleita nas guerras e morticínios. Entretanto, se não podemos compreender plenamente a existência de Deus, como poderemos julgar sua justiça? Jó, que era justo, não compreendia a justiça divina. Como poderemos nós, sendo injustos, compreende-la? Não vejo no Deus bíblico um tirano, mas um Pai amoroso e misericordioso, mas ao mesmo tempo justo e zeloso, educando seus filhos em princípios perfeitos de fidelidade, de justiça e santidade. Eu creio na perfeita justiça do Deus bíblico.
Muitos são os que buscam na Bíblia fórmulas para a salvação e iluminação espiritual, como em muitos outros livros religiosos, regras objetivas de conduta que conduzam a um determinado status espiritual. Como o mago Simão, que imaginou poder comprar dos apóstolos o ensinamento que o capacitasse a fazer os prodígios que eles faziam.
Muitos ainda, buscam na Bíblia justificativas para seus sonhos desvairados de poder e glória, desde pessoas comuns até governantes tirânicos e falsos líderes religiosos, que distorcem seus fundamentos para edificar seus falsos ministérios.
Outros ainda, embora honestamente motivados, divergem e disputam quanto à verdadeira interpretação da palavra de Deus, gerando assim uma multiplicidade de denominações religiosas,sistemas teológicos e crenças, seja entre católicos, ortodoxos ou protestantes.
Seria a Bíblia um livro hermético ou enigmático? Teria Deus ao inspirar seus livros a intenção de confundir ao invés de iluminar?
A resposta, por paradoxal que possa parecer, é sim e não. Não que Deus seja ambíguo em sua obra, mas porquê a revelação espiritual não está destinada senão àqueles que a buscam com sinceridade de propósitos, pureza de coração e humildade.
O Senhor Jesus pregava por parábolas e dizia que falava apenas aos que tinham “olhos para ver e ouvidos para ouvir” e louvava os “pobres de espírito”. Mesmo aos apóstolos, Jesus afirmou não poder revelar “toda a verdade” mas que esta seria futuramente revelada, pelo Espírito de Deus.
É evidente portanto para mim que toda a dificuldade de entendimento da palavra de Deus não reside nela mesma, mas no coração daquele que a busca. É somente na medida em que crescemos espiritualmente em amor, em santidade, no conhecimento de Deus e em justiça é que a Verdade nos é pouco a pouco revelada.
Cada vez que leio a Bíblia, descubro dimensões e ensinamentos novos e confesso que mesmo hoje, ainda existem nela passagens que não consigo compreender. Não faço disto no entanto uma barreira para a fé, mas procuro andar retamente diante de Deus, na esperança da ressurreição em Cristo Jesus. Até que um dia possa alcançar a plenitude do seu Amor, de sua Justiça e de sua Verdade.”
O Dr. Janai Amcharaca é PHD em Física Molecular e leciona atualmente na Universidade de Bombaim –India.
