O Que Deus Não Faz Por Você

Deus não violenta a nossa vontade própria

Deus nos dotou de vontade própria. A grande evidência disto, foi a escolha feita pelo primeiro casal no Paraíso, de renunciar ao senhorio de Deus e viver segundo seu próprio entendimento.

Deus não mudou, e não mudará. Todos nós somos colocados, consciente ou inconscientemente, ainda nos dias de hoje, diante desta mesma escolha.  Aceitar o senhorio do Criador e viver segundo sua vontade ou viver segundo o que julgamos ser nossa autonomia e liberdade, segundo nossa própria vontade.

Deus não nos obriga a amá-lo ou a servi-lo. Entretanto, se assim escolhermos, devemos aceitar as suas condições, as condições de seu Reino. Se optarmos por não servi-lo, devemos arcar com as conseqüências de viver sem o seu amparo e sem a sua luz.

Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR. (JS 24:15)

Até mesmo para curar Deus exige nossa aquiescência. Em nenhum momento, Jesus curou alguém sem que esta pessoa manifestasse, de forma expressa, sua vontade de que assim fosse feito:

E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista. (MC 10:51)

E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? (JO 5:6)

A razão é simples. Deus não pode curar ou libertar aqueles que não desejam verdadeiramente ser curados ou libertos, os que se amoldam a sua própria dor e criam uma relação de dependência com seus opressores, ou os que se apegam intimamente ao prazer proporcionado pelo seu vício.

Nem mesmo Cristo foi obrigado a fazer seu sacrifício, mas teve, até a última hora, o livre arbítrio para escolher:

Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua. (LC 22:42)

Muitos são, no entanto os que, por temor ou leviandade, afirmam haver escolhido servir a Deus, mas não procuram andar nos caminhos do Senhor. Antes, continuam buscando satisfazer a qualquer custo a sua vontade própria e a viver segundo seu próprio código de conduta.

Viver verdadeiramente segundo a vontade de Deus é permitir a Ele orientar nossa vida, guiar-nos em todas as decisões, como um filho faz com um pai que ama, reconhecendo a sua sabedoria e grandiosidade.

Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus. O teu Espírito é bom; guie-me por terra plana. (Sl 143:10)

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. (MT 7:21)

Deus não faz aquilo que podemos fazer

Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares. (Js 1:9)

Muitos gostam de se considerar impotentes diante da vida e das inexoráveis leis da natureza. Vêem a si próprios como vitimas de situações que não escolheram viver, e que não têm como mudar.

Outro tipo de pessoas, no entanto, têm uma vontade férrea e crêem que tudo podem vencer e superar e raramente desistem diante das tribulações que a vida apresenta.

Estas são situações extremas de comportamento, e ambas estão distantes do comportamento cristão. Os covardes não encontram graça aos olhos de Deus, pois “Deus não nos deu o espírito de covardia, mas de poder, de amor e moderação”, mas tampouco aqueles que se arrogam tudo poder, apenas por sua própria força e que intentam sempre e a todo custo impor a sua própria vontade.

A nossa vontade e capacidade de realização são dons divinos e, portanto, ao exercê-los, devemos nos lembrar que foi o Pai que nos facultou isto.

Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. (FP 2:13)

Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece. (FP 4:13)

Nós não somos impotentes diante da vida. Deus nos dotou de todos os recursos necessários para lidar com o mundo, com o uso da inteligência e dos sentidos.

Evidentemente, existem certas situações com que nos deparamos, diante das quais nada podemos fazer por nós mesmos.

Se for algo que precisamos realmente vencer e já empenhamos nisso todos os nossos esforços e capacidade em tentar superar, sem sucesso, por estar acima de nossas forças, aí então Deus entra em ação.

Porquê aquilo que é impossível ao homem, é possível para Deus. Deus começa a intervir em nossa vida quando esgotamos todos os nossos recursos e reconhecemos a nossa incapacidade para solucionar um determinado problema.

Entretanto, ninguém espere uma intervenção miraculosa de Deus antes disso, pois Ele não faz o que podemos fazer, e espera que, mesmo sendo fracos, empenhemos todo o esforço possível, de forma corajosa e decidida.

Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena. (PV 24:10)

E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele. (MT 11:12)

O desejo do preguiçoso o mata, porque as suas mãos recusam trabalhar. (PV 21:25)

Deus não muda o nosso coração

O termo coração, quando empregado em sentido abstrato, tem um significado muito rico. Não se refere apenas ao aspecto emocional da psicologia humana, como normalmente empregado. Em seu sentido bíblico, o termo coração designa os sentimentos mais profundos que um ser humano é capaz de experimentar e nutrir, com relação ao mundo que o cerca.

É através do coração que os homens revelam sua verdadeira natureza e atitude diante da vida e de seus semelhantes. A Bíblia dá enorme importância a este centro espiritual da alma, a ponto de reconhecer que em nosso coração está a nossa salvação ou a nossa perdição.

Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. (PV 4:23)

Deus não pode mudar o teor dos sentimentos que nosso coração abriga. Ele é o centro de nossa alma e fonte de todos os nossos sentimentos. O primeiro sinal de
uma vida reta e temente a Deus é um coração humilde e quebrantado.

Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz. (DT 10:16)

Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus. (SL 51:17)

Deus, no entanto, transmutou o coração espiritual do homem, desde o sacrifício de seu filho, na cruz do calvário. Ele cumpriu sua promessa, de dar ao homem um novo coração, mais sensível, onde a sua palavra estivesse inscrita. Dessa forma, Ele mudou a necessidade de observância exterior e ritualística de uma lei de conduta espiritual rígida, em uma necessidade interior de amar e servir.

E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne; (EZ 11:19)

Em muitas passagens bíblicas, tem-se a impressão de que Deus está mudando os sentimentos das pessoas, mas, se observarmos atentamente, veremos que Deus na verdade está apenas intensificando sentimentos que já existem.

O SENHOR, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não os quis deixar ir. (ÊX 10:27)

Também lhe dispôs o coração para ensinar a outros; a ele e a Aoliabe, o filho de Aisamaque, da tribo de Dã. (Ex 35:34)

Na verdade, Deus não muda nossos sentimentos, apenas revela ou aviva tendências e atitudes já existentes. Quando Davi pede a Deus que lhe dê um coração puro, demonstra que já existe nele um desejo que seu coração seja assim. Ele está então apenas pedindo a Deus que fortaleça esse sentimento e o ajude a revelar a pureza de seu coração.

(SL 51:10) – Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.

Deus não erradica o mal que o homem cria no mundo

E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio?
E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo?
Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros:
Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro. (MT 13:27-30)

Muitos questionam a existência ou a justiça de Deus, com base na premissa de que um Deus onipotente e justo, não permitiria a existência de tanto mal e injustiça no mundo.

Os que assim pensam, erram por não conhecer a Deus e nem a si mesmos. Discutem levianamente, sobre conceitos de justiça e de bondade que forjaram para si mesmos, sem ao menos suspeitar qual seja a verdadeira justiça e bondade. Como poderão estes tolos então reconhecer a sabedoria de Deus?

Deus não criou o mal nem a injustiça que imperam no mundo. Ao contrário, tudo foi criado em absoluta perfeição:

E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom (Gn 1:31)

Ao escolher viver em pecado, o homem forjou todo o egoísmo, a dualidade e o conflito que existem no mundo, os quais são a origem de todo mal e de toda a injustiça.

Com o surgimento do ego e da dualidade, o Inimigo de Deus pôde então estabelecer o seu domínio sobre o mundo material e a sua influencia sobre o homem.

Em meio à corrupção reinante no mundo, no entanto, existem os bons e justos de coração. Estes vivem em meio à corrupção, para que se revele e seja consolidada a retidão de seu coração.

Quando estiverem espiritualmente maduros, Deus então poderá erradicar o mal do mundo, sem prejuízo para os que o amam. O Inimigo será então definitivamente destronado de seu reino de trevas e a perfeição voltará a existir, o mundo será restaurado e o bem, a paz e a justiça voltarão a imperar.

Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem cairá sobre eles o sol, nem calor algum;
porque o Cordeiro que está no meio, diante do trono, os apascentará e os conduzirá às fontes das águas da vida; e Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima (AP 7:16-17)

Deus não Impede que sejamos tentados e atribulados

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (JO 16:33)

O mundo em que vivemos é o mundo da carne e da matéria e como tal, exerce sobre o ego uma atração muito forte. A palavra de Deus diz que a carne luta contra o espírito, pois cada um pertence a naturezas inconciliáveis.

Não porquê espírito e matéria sejam inconciliáveis, mas porquê a matéria, em seu atual estado de corrupção, é incompatível com natureza pura e perfeita do espírito, na forma original em que Deus o criou.

Se o espírito se coloca em comunhão com a carne, ele também se corrompe e por isto, deve fugir da atração da carne e da matéria. Esta atração é que comumente se chama tentação e em diversas situações estamos sujeitos a sua força.

Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. (MC 14:38)

A existência da matéria é caracterizada pela dualidade e pelo conflito dos opostos, da dor e do prazer, do amor e do ódio, da satisfação e da insatisfação, entre o eu e os outros. A luta pela subsistência, que é inerente à natureza decaída do homem, somada à sua ignorância e ao seu egoísmo, são a causa de todo o sofrimento a que está sujeito todo ser vivo sobre a face da terra.

A grande luta do homem, portanto, não é por grades ideais políticos ou filosóficos, mas para vencer a si mesmo, aceitar a oportunidade de salvação de sua alma, conquistada para todos pelo Filho de Deus e nadar contra a corrente do mundo, combater o bom combate de que fala o apóstolo Paulo, completar a carreia das obras que Deus tem preparadas para os que o servem, a fim de ser digno de receber a coroa de justiça, diante do Pai, quando deixar este mundo.

Quanto mais nos dispomos a verdadeiramente lutar pela nossa salvação, mais somos tentados e atribulados, pois o Inimigo de Deus e de nossas almas não se conforma com a nossa libertação.

Quanto mais retamente nos propomos andar diante de Deus, mais seremos provados em nossa decisão e tentados a desistir, a desfalecer a se entregar à correnteza das águas torpes que percorrem o mundo.

Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. (AP 2:10)

Não devemos esperar, portanto, uma vida de facilidades e de vitórias fáceis em nosso cotidiano, no trabalho e mesmo na igreja. Mas, ainda no dizer do valoroso apóstolo Paulo, devemos nos regozijar nestas lutas, pois elas são a forja purificadora e fortalecedora de nosso espírito.

Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. (TG 1:12)

Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; (2CO 4:17)

Na mesma media, porém em que somos tentados e atribulados, somos providos com as armas e a força suficiente para vencê-las a todas, por isso nada devemos temer, por mais ameaçadora e dolorosa seja a situação que atravessamos.

Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. (1CO 10:13) -

Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. (AP 3:10)

2 Respostas

  1. tremendo, heim .falou no profundo comigo…

  2. o que DEUS não faz por voce

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